Não há como não se pronunciar, opinar, dar pitaco, avaliar, enfim, falar alguma coisa sobre o que ora ocorre no Brasil: mais um ex-presidente processado, desta vez por tentativa de golpe, ataque ao STF, negação da urna eletrônica (a mesma que o elegeu por mais de 30 anos) etc, etc.
Um enredo que os brasileiros já conhecem ou já experimentaram em várias oportunidades igualmente envolvendo ex-presidentes, que passaram por situações que os levaram à execração nacional, apesar de algumas situações terem razões e circunstâncias (ainda) questionáveis até hoje.
Já tivemos impeachments (Collor, Dilma), condenação e prisão de Lula (em circunstâncias duvidosas que atrasaram-lhe o terceiro mandato), golpes de estado (Getúlio Vargas, João Goulart, ou mesmo o Marechal Deodoro que encampou a contragosto o nosso primeiro golpe militar da História do Brasil para termos paradoxamente termos um presidente “republicano”).
E agora, um ex-presidente devidamente inelegível e justamente indiciado por participação de uma tentativa de golpe, que luta por anistia se ainda nem foi condenado. Sem contar que ele já foi contra a anistia aos que foram presos e torturados durante o período de exceção.
Nem vou me ater a descrever ou falar sobre quem deveria ou não ter sido destronado na ocasião em que estava na presidência. Nem o espaço, nem o momento, permitem. É muita coisa. Muito embora o Golpe de 64 seja mais emblemático de todos esses momentos, que repercutem negativamente até hoje.
Agora o enredo volta a nos assombrar. Dessa vez é um ex (presidente militar pu seria militar presidente, que não conseguiu ser nem um nem outro) que não se conformou em ser ex e, a exemplo dos crimes passionais, tenta destruir a imagem daquela que sempre lhe acolheu e o garantiu nos últimos anos (a urna), e se virou contra o atual (o presidente eleito) e quem descobriu esse ato criminoso de negação (STF).
A ganância pelo Poder, numa comparação a grosso modo, tem a mesma relação tóxica que sustenta os feminicídios e os crimes de traição. O agressor não suporta a separação ou que o outro seja feliz longe dele, e procurar anular, reduzir, agredir, humilhar, criar mentiras e até matar. A justificativa é “se não é meu, não é de ninguém”. O Poder provoca isso, acreditem.
Brincadeiras à parte, a decisão de tornar réu o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras pessoas envolvidas direta ou indiretamente numa tentativa de golpe é emblemática na História do Brasil e da Justiça Brasileira.
Agora, os brasileiros vão poder acompanhar o julgamento de um homem que teria usado de um expediente muito mais grave que as reclamações públicas contra a eleição perdida, as urnas, ao STF (instância maior da Justiça brasileira) e todas as instituições jurídicas que ele acha que não concordam com ele.
Se tivesse se aquietado, aceitado a voz das urnas, poderia ter tentado novamente em 2026. Mas o histórico, o passado, lhe condena e, espero, há de lhe proferir a devida punição e a todos que o seguem e possam perceber a desmitificação do Mito e SEM ANISTIA !
Texto: Evandro Lobo – Jornalista, Poeta e Escritor.