Você está visualizando atualmente MEIO MILHÃO DE MOTIVOS

MEIO MILHÃO DE MOTIVOS

”Crônicas da vida, das artes e de tudo que pulsa em nós, em toda parte”.

Mais de meio milhão de mortos. Mais de 500 mil motivos para chorar, lamentar e refletir por que se chegou a essa situação por aqui.
Não são só números. Nunca serão. Se multiplicarmos as 500 mil pessoas pelas famílias delas, vai-se ver que a extensão dessa tragédia é imensurável. Principalmente quando se tenta buscar as razões de elas terem ocorrido, ou ter-se permitido que ocorressem e se chegasse a tantos prantos, tantas perdas e danos.
Realmente não dá pra ignorar ou simplesmente continuar a contar e esperar que essas ondas possam parar. Ninguém quer ser um eterno surfista de tormentos.
Não são apenas números. Nunca serão.

O vírus pode até ser invisível, mas as irresponsabilidades, não. Na verdade as competências ou incompetências ficaram bem evidentes na busca ou não pelas soluções. E nem é preciso recorrer a um microscópio para “ver” de onde partiram, estacionaram ou retrocederam as medidas de combate à Covid 19.
Agora, não basta apenas chorar e lamentar, até porque todo lamento é pouco para dimensionar a dor e a revolta que o vírus espalhou em nossos corpos, mentes e sentimentos. É hora de reagir. E além de buscar a vacina, seja ela qual for, é preciso punir e cobrar estratégias mais eficazes, responsabilidades, soluções mais efetivas contra qualquer mal presente ou futuro vil desse Brasil.

Os vírus podem até ser invisíveis, e provocar as maiores consequências que se pode conceber, mas são claras suas intenções e existem formas evidentes de combater, basta querer.
Mas esse novo Coronavírus que nos assolou e desolou teve um efeito muito maior, exigiu um esforço e uma resposta rápida e habilidosa da Ciência, e um empenho sério e tremendo dos governos “sérios” ( se me permitem essas as aspas) no enfrentamento, controle e combate.

Lutas políticas internas e externas se travaram e ainda são travadas para mostrar o melhor ou o pior (ou nem tanto assim) das ações de combate; muito embora os “inimigos” da normalidade, do bom senso, não sejam tão difíceis de encontrar.
O que se espera é que o silêncio que vem dos túmulos de mais de meio milhão de vidas ceifadas, e o murmúrio velado de seus pais, irmãos, tios, avós, amigos e conhecidos não se percam no limbo das ignorâncias negacionistas e outras discrepâncias, e ecoem nas consciências limpas e abertas de que não precisamos de pandemias ou epidemias pra resgatar o que há de bom em todos nós.
Espera-se, enfim, que não seja preciso mais perdas e danos para mostrar a outras vidas que vidas humanas são importantes e não podem ser tratadas apenas como estatística, dados e planos. Não são apenas números. Nunca serão.

Texto: Evandro Lobo/ Jornalista e Poeta.

Deixe um comentário