O título acima soa tremendamente desesperador. Mas, o fato é, que dessa forma o Cristo glorificado e exaltado avalia a igreja em Sardes. A mensagem de Jesus à igreja em Sardes visa alertar a igreja quanto ao perigo da morte espiritual. Esse alerta é pertinente aos dias atuais da igreja na terra.
Fundada no ano 700 a.C, Sardes foi uma das maiores cidades do mundo antigo. Possuía grandes riquezas e carregava muitas glórias. A cidade fora um grande centro comercial, muito conhecida pela confecção de lã, por isso, orgulhava-se por suas indústrias de tinturaria e lã. Na cidade havia o culto ao imperador romano e a adoração a Artêmis, a deusa da fertilidade e da caça, a padroeira da cidade. Sardes situava-se num intransponível planalto. Era uma fortaleza, o que a tornava autossuficiente por tal segurança. A cidade era cercada de penhascos e por isso, os guardas não mais se preocupavam em vigiá-la. O resultado, foi que a cidade fora sitiada e conquistada, portanto, ficou em ruínas e irrecuperável. Sardes vivia de glórias passadas. A igreja tornara-se vaidosa, presunçosa e autossuficiente. Estava viva somente no nome. Possuía grande respeito e prestígio.
O grande problema da igreja em Sardes era a aparência de verdadeira piedade cristã, mas no seu interior estava morta. Ela tinha aparência de santidade, mas não vivia o poder da santidade, porque estava morta. Sardes vivia de glórias e espiritualidade passadas. Há muitos crentes que à semelhança de Sardes, aparentam ser piedosos, mas estão mortos. Há muitos ministros que aparentam ser santos, mas não vivem o poder da santidade, porque estão mortos. Há muitos cristãos que vivem de glórias e espiritualidade passadas, estão mortos espiritual e ministerialmente.
Há muitos crentes que se vangloriam de sua espiritualidade e serviço cristão passados, mas não lamentam, muito menos, se arrependem pelo seu estado atual decadente e de morte espiritual. Não avançam, não crescem, não frutificam, são meros frequentadores e espectadores de culto. E na maioria das vezes são críticos de plantão, são pessimistas, vitimistas e causadores de divisões, que fecham as portas do Reino de Deus para as pessoas e nem eles mesmos entram. Tudo isso, porque eles têm nome de que vivem, mas estão mortos.
Certamente, a morte espiritual é grave. Jesus nos revela com a mensagem à igreja em Sardes, que o maior problema para a igreja não é a perseguição, mas a morte espiritual. O grande drama dos últimos dias, talvez não seja a perseguição, mas uma igreja morta. Hernandes Dias Lopes escreveu: “O maior perigo não vem de fora, mas de dentro… Um ministro mundano representa um perigo maior para a igreja do que falsos profetas e falsas filosofias… Um pregador sem piedade é uma contradição, um inaceitável escândalo. Um pregador sem piedade presta um grande desserviço ao Reino de Deus… Ortodoxia sem piedade produz morte e não vida.”
O grande problema da igreja é a presença de ministros mortos. Dwight Moody afirmou: “O maior problema da obra são os obreiros.” Ministros mortos são o grande empecilho para o crescimento da igreja e crentes mortos são o embaraço para o avanço do Evangelho. O ministro metodista E. M. Bounds afirmou categoricamente: “Homens mortos produzem sermões mortos, e sermões mortos, matam.” Ministros mortos, produzem uma igreja morta. Se quisermos experimentar um reavivamento, os ministros terão que ser os primeiros a se arrependerem e chorarem pelo estado de sua alma. Se quisermos ver um despertamento e um avivamento na nossa nação, a igreja deverá se arrepender pelo pecado da morte espiritual e voltar Aquele que tem os Sete Espíritos de Deus (Ap 3:1).
O apóstolo Paulo descrevendo os apostatas afirmou: “No tocante a Deus, professam conhecê-lo; entretanto, o negam por suas obras; é por isso que são abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra” (Tito 1:16).
Ó! Precisamos de um urgente reavivamento.
Entretanto, Jesus se apresenta para a igreja em Sardes como Aquele que tem os sete Espíritos de Deus. Somente o Espírito de Deus pode reavivar a igreja morta. Somente o Espírito de Deus pode nos reavivar. O apóstolo Paulo nos exorta: “Sede fervorosos de espírito” (Romanos 12:11b) e ainda: “Não apagueis o Espírito” (1 Tessalonicenses 5:19). Precisamos fixar – em oração – os nossos olhos nos incandescentes Olhos de Jesus para que o nosso coração seja reavivado como experimentou John Wesley no dia 24 de maio de 1738. Certa feita ele afirmou: “Se o teu coração é como o meu, então dá-me a tua mão, porque somos irmãos.”
O Cristo glorificado também se revela como Aquele que tem as sete estrelas (Ap 3:1). Jesus tem o domínio sobre os pastores e ministros da Palavra de Deus. O reavivamento começa pelos pastores e somente depois, pela igreja. Para que haja fogo nos bancos, tem que incendiar os altares. Perguntaram para D. Moody como iniciar um reavivamento na igreja, ao que ele acertadamente respondeu: “Acenda uma fogueira no púlpito.” Quando perguntaram para John Wesley o que ele fazia para que as multidões corressem para vê-lo pregar, ele afirmou: “Eu me coloco em chamas, e o povo vem para me ver queimar!”
Portanto, Jesus revelou a solução para um reavivamento (Ap 3:2,3):
- “Sê vigilante”, ou seja, reconheça que você necessita urgentemente de um reavivamento;
- “Consolida, o resto que estava para morrer”, trabalhe, pratique as primeiras obras; “porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus”;
- “Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido”;
- “Guarda-o”, isto é, pratique a Palavra de Deus;
- “Arrepende-te”. Ou seja, confesse o pecado da morte espiritual.
“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apocalipse 3:6).
Texto: Ediney Reis – Escritor, Teólogo e Pastor