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Vencendo o desânimo, o inverno da alma

Desânimo é um estado de desmotivação. O dicionário de Oxford define como “estado de quem se mostra desanimado, desestimulado; desalento, esmorecimento”. O desânimo é o abatimento da alma. É o cárcere do coração.

Com a queda do homem no Éden por causa de sua rebelião contra Deus, o pecado, a morte, o medo, o desânimo entraram no mundo. O desânimo, portanto, passou a fazer parte da vida humana.

Todos os homens da História passaram por momentos de desânimo, tristeza, medo. Os grandes heróis da fé sofreram desânimo. Abraão, Jacó, José do Egito, Moisés, Josué, Davi, Jeremias, a rainha Ester, Jó, João Batista, Maria mãe de Jesus, Pedro, Paulo etc., tiveram que enfrentar esse demônio perseguidor dos seres humanos. Certa feita o rei Ezequias sendo tomado de tristeza declarou: “Laços de morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim; caí em tribulação e tristeza.” (Salmo 116.3)

Portanto, absolutamente ninguém está imune ao desalento. Todos nós teremos de enfrentar o inverno da alma. Paulo, o maior bandeirante do Cristianismo havia declarado o seu desespero da própria vida (2 Co 1.8). Mas, como todo sofrimento, o desânimo tem limite. O apóstolo Paulo afirma que como cristãos ficaremos perplexos acerca das adversidades, mas com a maravilhosa promessa de não sermos desamparados por Deus! (2 Co 4.8,9). Deus se fez homem ao enviar o Seu único Filho para morrer em nosso lugar. Jesus foi retratado na profecia de Isaías (aproximadamente 700 anos AC) como homem de dores e que sabia o que era sofrer. Portanto, Jesus veio se identificar e compartilhar do sofrimento humano.

Agora, convido você a entrarmos com Jesus no Jardim do Getsêmani momentos antes da sua morte (Mateus 26.37,38). Getsêmani significa “Prensa de azeite”. Ali naquele Jardim, na noite fria e sombria o nosso Salvador sofreu o algoz do desânimo na sua alma. Semelhante as azeitonas esmagadas pela prensa, Jesus estava sendo pisado pelo desalento. Profundo foi o desânimo que o Mestre – sendo homem, mas sem pecado – sofreu. Ele declarou: “A minha alma está profundamente triste até a morte” (Mateus 26.38). Jesus, portanto, sofreu desânimo, passou momentos de tristeza. E ele teve que superar isso.

William Shakespeare disse que “quando se avistam nuvens, os sábios vestem seus mantos”. Quando o inverno da alma bater na porta dos nossos corações devemos “vestir nossos mantos”, nos preparar para lidar com o desânimo. Vejamos como podemos aprender com Jesus, o Mestre da vida a superar o desânimo.

Em primeiro lugar, Jesus procurou a companhia dos seus discípulos mais íntimos. É fundamental desenvolvermos amizade com pessoas. E principalmente e especialmente com pessoas sérias que cooperam para o nosso bem. Quem se isola insurge-se contra a sabedoria. Portanto, é necessário estar na companhia de familiares, amigos verdadeiros, irmãos cristãos.

Em segundo lugar, Jesus compartilhou a sua tristeza, o que se passava na sua alma. Ele abriu o coração. Expressar a nossa dor alivia a nossa alma do desalento.

Em terceiro lugar, Jesus contou com apoio espiritual. Ele buscou por parceiros de oração e intercessão. Apoio espiritual através da oração é uma arma poderosa para vencer o desânimo. Tenha parceiros de oração.

 Finalmente, Jesus também ficou a sós com o Pai Celeste em demonstração de humildade e dependência divina. Jesus sabia que Deus estava com ele. Jesus abre o coração para o seu Pai expondo o que lhe causava a profunda tristeza: o cálice da ira de Deus – o sofrimento da Cruz. No entanto, Jesus demonstrou submissão à vontade divina. “não seja como eu desejo, mas sim como Tu queres”. A comunhão com Deus Pai é também um poderoso remédio contra o desânimo. Na presença de Deus recebemos força para o nosso coração.

Agora, Jesus estava pronto para cumprir o seu propósito! Ele recebera ânimo dos Céus! (Lucas 22.43). Após a oração no Getsêmani, se levantou, chamou os seus discípulos e lhes disse que era chegado a hora. Ele se entregou voluntariamente! (João 18.8)

A maneira como lidaremos com o desânimo determinará a nossa superação ou o nosso fracasso. O poeta Carlos Drummond disse: “que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade”. Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Romanos 8.28). Deus não trabalha contra nós para nos destruir, mas a favor de nós e com propósito maior em nós.

Jesus o maior Psicólogo que já existiu nos encoraja dizendo: “Neste mundo sofrereis tribulações; mas tende e coragem! Eu venci o mundo.” (João 16.33a)

Em Deus encontramos uma fonte inesgotável de consolo e encorajamento.

“Ó minha alma, descansa somente em Deus, porque dele vem a minha esperança” (Salmo 62.5).

Siga confiando no Senhor. E a minha oração em favor de você caro leitor é a mesma do apóstolo Paulo “E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo”. (Romanos 15.13)

Texto: Francisco Ediney Reis- Escritor

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