No início de 2025, tudo era favorável para que o senador Omar Aziz (PSD) retornasse ao cargo de governador do Amazonas. Obteve resultados positivos nas eleições municipais de 2024, com vitórias de seus correligionários na maioria dos municípios e, na capital do Estado, apoiou a reeleição de David Almeida (Avante), em parceria com o senador Eduardo Braga (MDB). Percebendo o governo Wilson Lima (União Brasil) muito desgastado e com adesões de lideranças políticas, da sociedade civil e de grupos de comunicação, Aziz lançou o movimento “Amazonas Forte de Novo”, que tem até propostas de governança. O senador Omar conduzia a sucessão eleitoral. Agora, neste momento, a realidade mudou.
Nos eventos acompanhados pela mídia local, as autoridades públicas do Amazonas, a classe empresarial do comércio e da indústria, as lideranças de organizações não governamentais, ONGs, e de instituições religiosas tratavam Omar Aziz como o novo governador que só faltava cumprir o rito democrático de passar pelas urnas, uma vez que a pré-candidata Maria do Carmo Lins (PL) apenas expressava frases prontas do bolsonarismo nas redes sociais e nas manifestações de rua.
Como favorito na corrida eleitoral e à sua disposição, levaram centenas de pessoas, políticos, empresários e estudiosos sobre a região, para o lançamento de seu livro na Livraria Valer, com o “Plano Estratégico de Desenvolvimento”, em que demonstra diretrizes econômicas, de bioeconomia e de infraestrutura para o Amazonas, como uma estratégia positiva de pré-campanha. Além disso, Omar Aziz contava e conta com a ajuda do Governo Federal e com a obediência de militantes de partidos de esquerda no Estado.
Mas o cenário político mudou, as nuvens da pré-campanha se mexeram. O prefeito David Almeida resolveu disputar o cargo de governador, deixando a base política do senador Aziz para ser adversário dele. Maria do Carmo, que há um ano era somente uma professora querendo comandar o Estado, hoje se consolida como uma liderança, porta-voz de uma direita militante, e tem melhorado a aceitação popular.
Há ainda o fator Roberto Cidade. O atual governador interino pode vencer a eleição indireta e postular a reeleição, embaralhando o jogo da sucessão de 2026. Cidade tem força política no interior, o controle da máquina da Assembleia Legislativa e do governo do Amazonas. E possui um parceiro de chapa muito respeitado na opinião pública de Manaus, o economista Serafim Corrêa. Caso eleitos e reeleitos, Serafim e Cidade terão mandatos de quatro anos, o que facilita alianças em um possível segundo turno.
A pré-candidatura de Omar Aziz ainda é muito forte. Porém, deixou de ser a única favorita. Agora, ele também é conduzido pela maré dos novos fatos políticos. E, em uma eleição que será disputadíssima, quem ganha é o eleitorado, que terá opções.
Texto: Carlos Santiago – Sociólogo, cientista político, filósofo e advogado