O anseio e chamado de Deus nestes dias do fim é o de uma igreja incendiada por Ele, para Ele e para a glória dEle. O Senhor quer que nos mantenhamos em chamas e ao possuirmos um coração incendiado pelo Espírito Santo outros corações sejam inflamados. E essa chama se alastre manifestando o conhecimento da Glória do Senhor (Hb 2:14).
Um dos aspectos urgentes da teologia prática que o apóstolo Paulo exorta a igreja em Roma a atender piedosamente, é o fervor espiritual: “No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12:11). Após expor a doutrina na carta aos Romanos (caps 1-11), agora Paulo instrui a igreja, de maneira a encorajar, no que tange à ética cristã (caps 12-16). Paulo passa da doutrina para a vida, da teologia para a ética, da ortodoxia para a ortopraxia, da intelectualidade para a espiritualidade, do conhecimento para a piedade.
Isso nos mostra que não basta apenas ter conhecimento doutrinário/teológico, mas piedade. Não basta apenas ter luz na mente, mas fogo no coração. Não basta apenas saber acerca de Deus, mas conhecê-Lo intimamente. Precisamos ser cristãos que crescem continuamente em conhecimento e graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Não podemos separar doutrina da piedade. A verdade produz a verdadeira piedade (Tt 1:1). A doutrina produz fervor espiritual. A verdadeira teologia produz paixão por Deus.
Portanto, em um tempo marcado pela mornidão, apatia e indiferença espirituais, ser incendiado por Deus e para Deus torna-se necessário e urgente. Para que possamos ser zelosos, isto é, abraçar a causa de Deus, precisamos de fervor espiritual, ou seja, queimar para Deus, como resultado, serviremos a Deus de modo digno dEle (Rm 12:11). Precisamos de homens que queimam para Deus em zelo e devoção. Precisamos ser incendiados para Deus com o fogo da verdade e piedade.
Ao olharmos pelas lentes da História da Igreja, vemos como John Wesley (1703-1791), entre outros, demonstrou grande preocupação com a frieza da igreja quando disse: “Meu medo é que o nosso povo se contente em viver sem o fogo, o poder, a paixão.” Indubitavelmente, a maior ameaça para a igreja não é a perseguição, mas a falta de fervor espiritual. O maior problema da igreja não são os ataques externos, mas a falta de piedade. É lamentável ainda, que não temos vivido o verdadeiro poder da santidade. A Palavra da santidade precisa ser verdade em nós como foi na boca do profeta Elias (1 Rs 17:24) e fogo como foi na boca do profeta Jeremias (Jr 5:13).
John Wesley fora um homem muito a frente do seu tempo. Ele era inconformado com o estado moral, social, espiritual do seu povo. Primeiramente, Deus teve que incendiar Wesley, e através deste grande evangelista, Deus incendiou a Inglaterra e outros continentes. John Wesley afirmou categoricamente: “Antes de Deus fazer a obra através de nós, Ele faz uma obra em nós.” Muitos avivamentos surgiram da influência do avivamento metodista dos tempos de Wesley e seus amigos. Ele era conhecido como um tição tirado do fogo e cavaleiro de fogo. Ele teve o coração incendiado e permanecera incendiado para Deus. Ele sempre mantinha o fogo aceso pela oração e meditação da Palavra de Deus.
Quando perguntaram para John Wesley como ele atraía as multidões para ouvi-lo pregar a mensagem da santidade bíblica, ao que ele respondeu: “Eu me coloco em chamas, e o povo vem para me ver queimar.” Alguém se referiu ao sucesso de John Wesley: “Explica-se o poder de Wesley pelo fato de ele ser homo unius libri, isto é, um homem de um só livro, e esse livro é a Bíblia”. É um fato indiscutível, que esse fervor espiritual de Wesley, o tornou o poderoso avivalista que abalou as estruturas da Inglaterra e a salvou de uma crise destruidora. À semelhança de Wesley, nosso coração precisa urgentemente queimar para Deus, para a causa e a glória de Deus. Deus ainda pode levantar os John Wesley desse tempo e torná-los incendiados para Ele! Assim eu creio!
Para que possamos resgatar o fervor espiritual, precisamos observar os seguintes princípios:
- Arrepender-se do pecado da negligência espiritual.
- Restaurar o altar da nossa vida. O profeta Elias restaurou o altar e fogo caiu.
- Permanecer em comunhão com o Senhor e cultivar essa comunhão. Devemos buscá-lo intensamente, constante e continuamente – em verdade, obediência a esse chamado divino, em total rendição ao anseio de Deus pela meditação da Palavra e da oração.
- Reconhecer a necessidade de sermos incendiados por e para Deus.
- Devemos nos submeter ao ministério do Espírito Santo no processo de reavivamento e santificação, isto é, andar no Espírito.
Vejamos algumas razões da necessidade do fervor espiritual:
- Vencer a mornidão espiritual (Rm 12.11). Em Lv 6.5-13, nos fala para não deixar apagar o fogo, remover as cinzas, por vestes novas, por novas lenhas. Paulo exortou a Timoteo a reavivar o seu dom (2 Tm 1.6).
- Sermos continuamente purificados do pecado. O Espírito Santo consome toda palha que nos impede de receber o poder de Deus (Mateus 3.11). Somente o fogo da santidade pode apagar o fogo da iniquidade, o fogo falso.
- Sermos santificados inteiramente. Quem é nascido do Espírito não anda em trevas (1 Ts 5:23,24). O fogo do Espírito desperta a igreja para a santidade, para uma vida de piedade.
- Possuirmos um testemunho mais ousado frente a um mundo cada vez mais pervertido e corrupto. Somente uma igreja fervorosa poderá arrebatar os ímpios do fogo do inferno.
- Restaurar o nosso compromisso com o Reino de Deus. Somente uma igreja fervorosa não viverá amedrontada dentro das quatro paredes como os discípulos antes do Pentecostes.
- Pregar em demonstração do Espírito e com poder (1 Co 2:4). Quando os apóstolos foram cheios do Espírito passaram a falar das grandezas de Deus no poder de Deus (At 2:4,11).
Deus disse ao profeta Jeremias: “eis que converterei em fogo as minhas palavras na tua boca” (Jr 5:14). A Palavra de Deus era como fogo não apenas na boca do profeta Jeremias, mas também nos seus ossos (Jr 20:9). Certamente, Jeremias era um profeta profundamente fervoroso de espírito. Ele era um homem totalmente consumido de zelo por Deus. Ele carregava o coração de Deus e do povo de Deus. Ele era um profeta inconformado com o estado degradante do seu povo. Destarte, precisamos ser esses homens e mulheres consumidos pelo fogo de Deus, fervorosos de espírito e inflamados de amor por sua Presença. O imperativo divino é: Não apagueis o Espírito (1 Ts 5:19). Não impeça a obra do Espírito Santo na sua vida.
“O Senhor pode; faz de novo.” — Billy Graham, ao ver as marcas dos joelhos de John Wesley no chão do seu quarto.
Texto: Ediney Reis- Pastor, Teólogo e Escritor