O que distingue uma pessoa de outra é as suas motivações, suas paixões, seus anelos. O que motivaria um homem a renunciar a si mesmo e, ainda todas as coisas que considera como méritos? A resposta é: Cristo! Paixão por Cristo. Conhecer mais profundamente a Cristo! Essa era a maior paixão do apóstolo Paulo! Conhecer a Cristo era a sua devoção mais profunda. Qual é a nossa maior paixão? Um dos testes do crescimento em comunhão com Cristo é o quanto Ele é para o cristão. Quando Cristo é absolutamente tudo para nós, isto significa que estamos crescendo Nele. Esse texto objetiva encorajar a comunidade cristã a empreender com o auxílio do Espírito Santo uma busca incansável por amar profundamente a Cristo, na busca pelo sublime conhecimento de Deus. Vejamos quatro princípios acerca de amar apaixonadamente a Deus:
Em primeiro lugar, amar apaixonadamente a Cristo implica renunciar tudo por Ele. V7
O apóstolo Paulo fazendo um contraste da sua vida religiosa no judaísmo farisaico com sua intimidade com Cristo, considerou como perda tudo o que antes lhe parecia lucro, vantagem. Paulo era “circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível” (Filipenses 3:5,6). Portanto, ele era um legítimo israelita, um privilegiado líder religioso e um zeloso religioso em suas convicções. Mas esses privilégios, méritos e credenciais, ou “vantagens” foram abandonadas por sua Paixão por Cristo.
Tudo o que antes nos parecia lucro, nós abandonamos por Paixão pelo nosso Deus. Decidimos renunciar a nossa justiça própria. (v9) por quanto nossas justiças são com trapos de imundícia aos olhos dEle. (Is 64.6). Decidimos não confiar na “carne”. Confiar na “carne” é o fato de continuarmos voltados sobre nós mesmos, confiando-nos em nós mesmos e gloriando-nos em nós mesmos. Nós, porém, gloriamo-nos em Cristo, pois fomos justificados pelos méritos de Cristo!
É importante observar que tais vantagens podem tornar-se empecilhos. Em objetos de tropeços. Tais vantagens podem nos privar de Cristo, de conhecê-Lo intimamente. A falta de zelo cristão, atitude mundana, tolerância a pecados conhecidos, domínio da vontade própria, formação acadêmica privilegiada, além de outras incontáveis causas, podem tornar-se inimigos da intimidade.
Portanto, uma vida de renúncia é estar crucificado com Cristo. Tal pessoa já não vive mais, mas Cristo nela (Gl 2.20). Não vive para si mesmo. É Cristo nela e ela em Cristo. O viver agora é Cristo (Fp 1.21). A. W. Tozer disse que estar crucificado com Cristo significa três coisas: “ter os olhos voltados para uma só direção, não pode olhar para trás e não tem mais vontade própria”. O mundo está crucificado para tal pessoa e tal pessoa para o mundo! (Gl 6.14). O mundo do pecado não faz mais sentido para o crente que ama apaixonadamente a Deus. Este mundo não o atrai mais. Jesus afirmou que o seu Reino não é deste mundo. Estamos crucificados com Cristo! Já não vivemos mais, mas Cristo vive em nós! Para que possamos desfrutar de uma comunhão profunda com Deus e crescermos em paixão por Ele deveremos lançar mão de uma vida de renúncias.
Em segundo lugar, amar apaixonadamente a Cristo nos faz tê-Lo como o mais importante. V8
O apóstolo Paulo não apenas lançou fora os seus privilégios, mas os considera como perda por Amor a Cristo. Veja que ele não apenas considerou, mas continuava considerando. Paulo não havia se arrependido por renunciar suas vantagens pessoais. O amor de Cristo o constrangeu (II Co 5.14) e seu amor por Cristo fez com que ele abandonasse tudo o que lhe era lucro. A pessoa de Cristo é mais importante do que os rituais religiosos (v7). A pessoa de Cristo é mais preciosa! É incomparável! É sublime! Todas as figuras da história humana se perdem diante da Pessoa de Cristo! Só Ele é digno da nossa adoração! Somente Ele tem palavras de vida eterna.
Amar a Cristo é mais precioso para nós em relação a todas as outras coisas deste mundo. Cristo é a nossa Riqueza que ultrapassa tudo! Cristo é o nosso Bem maior. Cristo é a nossa Herança. Cristo é tudo para a Igreja. Cristo é a Delícia de nossa alma. Cristo é o nosso Prazer eterno. Cristo é a Paixão consumidora de nossa vida. Cristo é a nossa Glória mais sublime. Sua Presença é mais doce que o mel e mais preciosa que o ouro mais refinado. Sua doce Presença constrange o nosso espírito! Cristo nos é suficiente! Estamos “presos” com cordas de amor! Do doce amor de Deus! (Oseias 11.4). Lembramo-nos da parábola do “tesouro escondido no campo”, em troca do qual um homem vende tudo quanto tem, a fim de adquirir aquele campo. (Ver Mat. 13.44-46). Cristo é o nosso maior Tesouro. Um apaixonado por Deus é uma pessoa que foi constrangida pelo Amor de Cristo. Pois, é impossível não se constranger com este Amor. Porque Cristo nos amou primeiro (1 João 4:19).
Em terceiro lugar, amar apaixonadamente a Cristo nos dar uma visão mais elevada Dele. V8
“as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (V.8). Cristo é o único valor inestimável para a Igreja. Cristo deve ter a primazia na igreja. Nossos cultos, louvores, orações e pregações devem ter a Cristo como o centro. A palavra grega usada para “refugo” significa “lançar aos cães” conforme se faz com o lixo. O apóstolo Paulo considerava suas vantagens inúteis e repugnantes, como lixo que pode ser lançado aos cães, como refugo lançado em um entulho. O que o mundo tem em tão alta conta, nós consideramos ser de nenhum valor, senão como algo que só serve para ser lançado aos cães. Quem tem paixão por Deus não tem paladar pelo mundo. O Salmista Asafe declarou: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra” (Salmos 73:25). O mundo está morto para ele e ele para o mundo (Gl 6:14). Pelo Espírito de Cristo em nossos corações, passamos a não amar mais o mundo nem as coisas que há no mundo (1 Jo 2:15) pois, Deus derramou o seu amor em nossos corações (Rm 5:5). Paixão por Deus nos leva a ver as glórias terrenas, as vantagens pessoais e méritos religiosas como refugo. E isso conserva a nossa intimidade com Ele!
O apóstolo Paulo ponderou: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1Co 15.19). Paixão por Deus é pensar nas coisas do Alto! Paixão por Deus é ter visão na Eternidade! Paixão por Deus é ter visão de Reino! (Cl 3.2). O puritano Jonathan Edwards disse: “Oh Deus, grave a eternidade nos meus olhos”. É a pessoa de Cristo – seu caráter, sua natureza, sua glória – que tanto ansiosamente queremos e não simplesmente as Suas bênçãos. Queremos “ganhar” a Cristo! (V8). Portanto, para que possamos amar apaixonadamente a Cristo, é necessário desfazer-se do “refugo” que antes considerávamos como vantagens.
Finalmente, amar apaixonadamente a Cristo nos conduz na busca por conhecê-lo mais. Vv8- 11
“A sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor” (V8). Ao entender a paixão de uma pessoa, descobrimos a razão de ela fazer ou não certas coisas. Paulo considera seus privilégios e méritos na religião judaica como perda por causa de sua comunhão íntima e pessoal com Cristo, o Senhor da sua vida. A intimidade com Deus remove os nossos olhos de nós mesmos e nos faz olhar cada vez mais para Cristo! William Hendriksen diz: “Assim como o nascer do sol apaga a luz das estrelas, e assim como a presença de uma pérola de grande valor apaga o brilho das demais gemas, assim também a comunhão com Cristo eclipsa o brilho de todas as coisas”.
O conhecimento de Cristo é o nosso valor supremo, não há nada melhor do que conhecer a Jesus. Conhecer a Cristo é mais precioso em comparação a todas as coisas deste mundo. Conhecer a Cristo é uma riqueza que ultrapassa a tudo. O chamado da intimidade com Deus é o maior chamado de Deus para o homem. O verbo grego para “conhecer” é kinoskein, é o termo usado para relacionamento. O conhecimento de Deus é mais que mero conhecimento intelectual, mas acima de tudo, um relacionamento íntimo e pessoal. Para Warren W. Wiersbe “trata-se de algo muito maior do que o conhecimento sobre Cristo… significa ter um relacionamento pessoal com ele pela fé… O Cristianismo é Cristo. A salvação é conhecer a Cristo de maneira pessoal”. Não é um mero emocionalismo fanático. Trata-se de familiaridade e contato amigável com o próprio Deus. Não é um sentimento casual ou algo ocasional, mas uma busca de toda uma vida. Não basta ter informações acerca de Deus, mas conhecê-Lo intimamente.
O povo que conhece a Deus é um povo forte! É um povo que faz proezas! Quanto maior a nossa intimidade com Ele mais fortes ficamos e coisas maiores realizamos no poder dele! (Dn 11.32). Intimidade com Deus é a nossa glória mais sublime. Tudo o que consideramos vantajoso se torna nada diante da Pessoa de Jesus. Nada se compara com a delícia da Intimidade de Deus. A intimidade com Deus é a nossa delícia!
Ademais, amar apaixonadamente a Cristo faz com que nos apropriemos do poder de Deus. (V 10). É o poder da vida sobre a morte. O poder de Deus que ressuscitou a Jesus está à nossa disposição. Poder sobre o mal, sobre o domínio do pecado, poder sobre a carne e o mundo. Poder do Espírito Santo. Amar apaixonadamente a Cristo nos capacita a enfrentar os sofrimentos e, até mesmo a morte. (V 10). São as dores por meio da abnegação, mortificação da carne e o sofrimento por amor a Cristo. Sofrer por amor a Cristo é um privilégio e uma alegria indizível (1.29). Paulo não gostava de sofrer e nem via o sofrimento como meritório. Ele estava pronto a enfrentar o sofrimento da morte. Ele tinha a profunda convicção de que o seu Senhor havia vencido a morte e o capacitaria a lidar com ela. Finalmente, amar apaixonadamente a Cristo produz em nós uma gloriosa esperança da Eternidade. (V11). Cristo venceu a morte, o pecado, o mundo e o Diabo. Sua ressurreição é o fundamento da nossa esperança. Porque Ele vive, podemos crer no amanhã. Ele está no trono, exaltado nos céus. Em breve Cristo virá triunfante, visível e gloriosamente nos buscar! Devemos aguardar a Sua vinda ansiosamente. Novos céus e nova terra nos aguarda. Teremos novos corpos, novos nomes e reinaremos para sempre com o Senhor!
Busque incansavelmente amar apaixonadamente a Cristo e profundamente conhecê-lo em oração e meditação de Sua Palavra, mediante o auxílio do Espírito Santo e Ele se revelará a você e lhe mostrará coisas grandes e ocultas que não conheces! (Jeremias 33:3).
Texto: Ediney Reis- Escritor